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IBRAJUS - Instituto Brasileiro de Administração do Sistema Judiciário

Revista On-line

O Consumidor Verde

Os anos 80 marcaram novo estilo de vida para o consumidor brasileiro. Há substancial valorização do marketing, certo descuido na apreciação do produto adquirido, mas inicia-se maior conscientização sobre o meio ambiente; são os novos tempos com a massificação do consumo e com o respeito à natureza.

Desponta a era digital, que substitui os meios físicos por processos eletrônicos; os avanços tecnológicos sofisticam as máquinas e aparecem o notebook, o laptop, o celular, o smartfone, etc.

A tecnologia que chega, facilita a vida do empresário e, de certa forma, contribui para desigualar a competição, pois o consumidor torna-se indefeso diante das estratégias de marketing utilizadas pelo fornecedor. A persuasão das mensagens manipula a vontade do hipossuficiente. As empresas, que já eram mais organizadas, conquistam maiores vantagens na era digital, com a obtenção e transmissão rápida de informações, fazendo-as chegar a pontos inusitados, onde estão os potenciais clientes para seus produtos e serviços.

A globalização, no mercado internacional, no final do século XX, acirra o desnivelamento entre fornecedor e consumidor, prestando, entretanto, para despertar a consciência política do brasileiro. A conscientização não se restringe à busca de preços baixos para este ou aquele produto, mas passa pela repercussão que o bem causa ao meio ambiente.

A Constituição assegura educação ambiental "em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente", inc. VI, art. 225.

Sabe-se que a produção é conseqüência do consumo, daí porque os dois juntos, produção e consumo, formam a origem de toda a degradação do meio ambiente.

O consumidor verde "é o individuo que busca para consumo apenas produtos que causam menor ou nenhum prejuízo ao meio ambiente"; a aquisição ou a utilização de um bem vincula diretamente com ajuda à natureza; o consumidor verde não adquire produto que provoca risco à saúde, que contém excesso de embalagens; faz separação do lixo, não desperdiça a água nem o papel, passa a exigir das empresas não somente a criação e venda de produtos, mas profícua integração com o meio social, ultrapassando o simples relacionamento comercial.

O consumidor verde é tido por algumas empresas como risco de negócio, a exemplo dos custos corporativos, de mudanças na legislação, etc.

Por outro lado, produtos verdes são aqueles ambientalmente corretos e que reduzem a agressão ao meio ambiente e à saúde humana. Evidente que qualquer produto reduz os recursos naturais além de causar emissões para o ar, para a água e para o solo. Todavia, uns causam maiores danos que outros. Setores como petróleo, energia, automobilismo têm fortes riscos ambientais a serem gerenciados.

O automóvel tem contribuído sobremaneira para a degradação do ambiente e, na Franca, desde o ano de 1997, comemora-se o dia mundial sem carro, 22 de setembro; neste dia todo o mundo passou a evita o uso do carro.

No Brasil, o carro particular é responsável por 60% das vias públicas e transporta apenas 20% de pessoas, enquanto os ônibus, com 25% transporta 70% dos passageiros. Sabe-se que os carros são responsáveis por 80% da poluição sonora das grandes cidades, além da poluição atmosférica, dos acidentes que provoca, etc.

Exatamente por causa desses malefícios, fala-se que, a continuar prejudicando o ambiente, o automóvel terá destino semelhante ao do cigarro.

Junto com o consumidor e o produto verde, aportou também o marketing verde ou ecológico, focado na afirmação de que materiais degradáveis e biodegradáveis são bons para o meio ambiente. Os doutrinadores preocupam-se com tal publicidade, porque apontam diferenças entre degradável e biodegradável; enquanto os materiais degradáveis são gerados de fontes não renováveis, a exemplo do petróleo, os biodegradáveis são feitos de matérias-primas renováveis, a exemplo de madeira, milho, leguminosas; neste caso, há aumento de bactérias em busca de oxigênio que pode interferir no ecossistema.

Assim, torna-se necessária a implementação de práticas de gestão sustentável, a exemplo da identificação de produtos e serviços que não agridem o meio ambiente; isto já acontece em países como Alemanha, Canadá, Japão e outros, onde os consumidores verdes preferem adquirir produtos que não causam poluição, detergentes biodegradáveis, enlatados com embalagens recicláveis. As grandes empresas tornam-se responsáveis pela colocação no mercado de produtos que não prejudicam o meio ambiente.

A partir do século XX, a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável tornaram-se objetivos buscados pelas empresas; traçam-se estratégias de produção e marketing, na construção de uma boa imagem, facilidade para obtenção de recursos, além da conquista de maior número de consumidores.

Antonio Pessoa Cardoso por Antonio Pessoa Cardoso
Desembargado do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Autor de dois livros: Processo Sem Autos - A Oralidade no Processo e Justiça Alternativa, Juizados Especiais.

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