IBRAJUS: Onde o senhor se formou?
R. Estudei na Universidade Católica de Santa Maria, em Arequipa. Graduei-me em1992. Procurei Direito motivado por um ilustre professor, Alfredo Cornejo Chávez, que me orientou a fazer Direito e não perder tempo com outras profissões, como Economia e Comunicação.
IBRAJUS: Qual é a rotina de um advogado em Arequipa?
R. Normalmente um advogado atende clientes em seu escritório todo dia, e visita a Corte, acompanha processos, audiências. Pode-se viver bem, mas a concorrência é grande. São 5.000 advogados para 1.000.000 de habitantes. Em suma, são 35.000 advogados para 8.000.000 de habitantes.
IBRAJUS: Como é o sistema judicial na sua cidade de Arequipa?
R. A Justiça de 1ª Instância compõe-se de mais ou menos 16 varas cíveis e 12 penais. A Justiça historicamente é lenta. No foro penal é mais rápido porque vigora o sistema acusatório, que privilegia o acordo. Isto prejudica, no meu ponto de vista, a parte social. Há um plano de processo civil ser mais oral.
O Tribunal de 2ª Instância (Corte Superior de Justiça). São 3 salas cíveis e 5 penais. Há um Presidente, que é nomeado pelo Pleno, por 2 anos.
Acima há a Corte Suprema de Justiça. O Presidente é eleito pelos Magistrados Supremos. Eles fazem um concurso e exercem por 3 anos o cargo.
IBRAJUS: O relacionamento entre juízes e advogados é bom no Peru?
R. Normalmente os juízes recebem os advogados por um prazo pequeno. Em Arequipa, a Corte Superior fixou o horário entre 8h e 8:45h. Demora 20 dias e só se dispõe de 3 minutos. Com os promotores se passa mais ou menos o mesmo, mas é mais flexível, porque, normalmente, eles têm tantos processos quanto os juízes.
IBRAJUS: Onde o Sr. leciona, quantas horas por semana e que matéria?
R. Eu leciono na Faculdade de Direito da Universidade Alas Peruanas, em Arequipa. Dou aulas todas as manhãs e 3 noites por semana. Leciono Direito Ambiental e Civil. O curso de Direito tem a duração de 7 anos e mais 1 ano de pesquisas para monografia.
IBRAJUS: Como é o perfil de seus estudantes?
R. Mais mulheres que os homens, são mais organizadas e dedicadas. A classe social é média e normalmente são jovens. Muitos terminam o curso sem saber por que estão estudando.
IBRAJUS: O senhor usa alguma técnica de motivação para os estudantes universitários?
R. Além das aulas, levo-os aos juízos para verem direito como é a Justiça. Também visitam lugares com problemas ambientais sérios. Depois mando fazerem petições sobre os casos, defendendo as vitimas e as empresas. Os melhores são adotados como “protegidos” e os levo a congressos em Lima ou outros países como o Chile.
IBRAJUS: Como o senhor vê o Direito aplicado no Brasil?
R. Parto do princípio de que na América 3 países marcam posição no Direito. A Argentina em termos gerais. No Ambiental, o Brasil, que é o que tem mais efetividade. E a Colômbia, do ponto de vista do Direito Penal, parece-me muito bem.